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29 setembro 2009

HOMENAGEM A MINHA AMIGA SANDRA


Vai acima Um poema de minha amiga Sandra Andrade - Blogs Curiosa e Uma interação entre amigos.
Uma pequena homenagem para uma pessoa super especial!!!
Obrigado amiga pela grande amizade!!!

28 setembro 2009

INFERNO DE DOR


Inferno de dor...
em meu peito ficou.
a razão dessa dor,
palavra que doeu...
você me magoou,
me feriu o coração,
Procuro uma saída,
mas só encontro dor e solidão...
procuro um alívio e vejo tristezas e desesperanças.
Esse inferno me consome...
ressentimento...
dor...
E a lágrima amarga que
pelo meu rosto rola,
sorvo nos lábios com
gosto de fel!!!

by Mylla Galvão

24 setembro 2009

QUE ME QUEREIS PERPÉTUAS SAUDADES?




Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.

Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias.

Luís de Camões

22 setembro 2009

O FOGO QUE NA BRANDA CERA ARDIA


O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que na alma vejo.
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dois ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquela flama, que se atreve
Apagar seus ardores e tormentos
Na vista do que o mundo tremer deve!

Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela nave.
Que queima corações e pensamentos.

LUIZ VAZ DE CAMÕES

20 setembro 2009

LUIZ VAZ DE CAMÕES - SONETOS


Amor é um fogo que arde sem se ver


Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luiz Vaz de Camões - (1524 -1580): Poeta português muito importante. O maior poeta da Humanidade. Sua obra mais importante foi OS LUSÍADAS.

17 setembro 2009

AMAR - FLORBELA ESPANCA


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Com esse poema encerro a semana de Florbela... Na próxima falarei sobre Luiz Vaz de Camões - poeta português...


15 setembro 2009

EU - FLORBELA ESPANCA

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino, amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!


Esse soneto de Florbela é também belíssimo e ilustrava o meu "Eu" até bem pouco tempo!
Minha alma andava negra... incompreendida...
Mas hoje transborda amor...

13 setembro 2009

FLORBELA ESPANCA


Começo a semana de 13 a 18/09 a falar de uma poetiza portuguesa, que estudei na faculdade, por ocasião do estudo de obras portuguesas. Literatura Portuguesa, esse era o nome da matéria.
A poetiza? FLORBELA ESPANCA

Uma breve biografia dela: "Nasceu em Vila Viçosa em 8 de Dezembro de 1894 e morreu em Matozinhos, em 8 de DEzembro de 1930".
Seu poema mais bonito para mim é "Fanatismo". Que faz parte do livro "Sóror Saudade"

FANATISMO

Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."

12 setembro 2009

HENRIQUETA LISBOA

SEGREDO


Andorinha no fio
Escutou um segredo.
Foi à torre da Igreja.
Cochichou com o sino.

E o sino bem alto
delém-dem
delém-dem
delém-dem
delém-dem!

Toda a cidade
Ficou sabendo.


Henriqueta Lisboa é uma poetisa mineira. Nasceu em Lambari (MG) em 1903 e morreu em Belo Horizonte em 1985. Aderiu ao Modernismo em 1945, influenciada por Mário de Andrade, com quem trocou farta correspondência de 1940 a 1945. Foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras.
Poeta sensível, dedicou sua vida a poesia. Drummond assim falou dela: "Não haverá, em nosso acervo poético, instantes mais altos do que os atingidos por esta tímida e esquiva poeta."

Eu, particularmente adorava essa poesia... Sabem porquê? Por causa do "barulho" do sino... Quando a professora lia a poesia em voz na sala de aula, logo imaginava o sino a badalar de alegria pelo segredo que a andorinha havia lhe contado!

Foto: Google

10 setembro 2009

VICENTE DE CARVALHO


A Fonte e a Flor

Deixa-me, fonte, dizia,
A flor, tonta de terror,
E a fonte, rápida e fria,
Cantava, levando a flor.

Deixa-me, deixa-me, fonte,
Dizia a flor, a chorar.
Eu fui nascida no monte,
Não me leves para o mar!

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
por sobre a areia corria,
Corria, levando a flor.

“Ai, balanços do meu galho,
Balanços do berço meu,
Ai, claras gotas de orvalho,
Caídas do azul do céu!”

“Carícias das brisas leves
Que abrem rasgões de luar,
Fonte, fonte, não me leves,
Não me leves para o mar!

Vicente de Carvalho, era Paulista nascido em Santos (05 de Abril de 1866 e morreu também em Santos em 22 de Abril de 1924).
Sua poesia mais conhecida por mim foi essa, acima - A Fonte e a Flor. Que declamei inúmeras vezes em sala de aula, em minha infância. Tenho verdadeira adoração por essa poesia...

Fonte: Wikipédia

08 setembro 2009

CECÍLIA MEIRELES


O MENINO AZUL

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
_ de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar
histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Rua das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

06 setembro 2009

GONÇALVES DIAS


Canção do Exílio


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dias

Fonte: www.horizonte.unam.mx

Dando continuidade aos poetas brasileiros, reinicio com Gonçalves Dias... Esta poesia também fez parte da minha adolescência e a analisei muitas vezes na escola...
Tem tudo a ver com nosso País!!!


05 setembro 2009

SELINHO QUE GANHEI DA CARLA MARTINS

Ganhei este selo da Carla Martins - Blog Leitura (mais que obrigatória) e tem regras:
Diga 8 características suas:
1- Adoro trabalho manual;
2- Adoro filme infantil;
3- Odeio falsidade;
4- Sou muito sincera;
5- Amo minha família;
6-Amo pagode;
7- Adoro poesia e
8- Amo livros!

Indique 6 blogs:
1- Sandra (Curiosa)
2 - Olavo (Traços de uma homem)
3- Márcia (Meus pensamentos)
4- Elaine (Um pouco de mim)
5- Mauri Bonfil (A Katana de Bambu)
6 - Geórgia (Saia Justa)



02 setembro 2009

CASIMIRO DE ABREU


MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

Essa poesia me fazia viajar quando aparecia nos meus livros de escola, tanto que decorei os 4 primeiros versos dela! Meu pai também, ávido leitor de poesia, adorava-a! Tenham uma boa degustação dessa pérola brasileira! Bom dia a todos!